O blefe
Na procura da leveza dos traços.
Da escolha da forma em repouso.
Encontra-se o rabisco bruto,
bordado de mau gosto.
O desafio do papel em branco.
Uma escolha incerta e insensata,
onde sofre você e principalmente a borracha!
Reto ou torto, comprido ou curto.
O que faço agora meu santo?
Se ao menos me concentra-se
Haveria mais encanto?
Qualquer distração invade a concentração!
E todo o sacrifício torna-se em vão,
sentindo-se incapaz diante da imensidão,
como a velocidade do som do trovão!
No duelo de seus pensamentos,
as formas se confundem.
Geometrias e substâncias inorgânicas,
piores ficam quando se fundem!
Nos pensamentos perdidos,
as flores são mais indicadas.
No fundo, seu inconsciente te implora,
uma mísera forma mais ousada!
Incômodo indício, incompleto!
Indivisíveis são suas idéias...
Lamento sua mente infecunda,
Longe de te induzir ao inédito!
Acalme-se, parece uma tortura.
Nos dias de hoje nada se cria.
É hereditário, tudo se transforma.
Irrelevante infertilidade de uma simples releitura!
Seus pensamentos bailam.
Dançando como uma valsa torta!
A leveza dos ventos sopra.
Sua precária fonte se esgota!
A distração atropela, vem pela contra-mão.
Sem premunição, sem aviso do instinto.
Destrosos, fragmentos de idéias pelo chão!
São raras, sensíveis e vivem pouco,
deixando mortas sem medida na razão.
Quando resta o silêncio, é perigoso!
A certeza vem recheada de pirraça,
e você que tinha o começo inerte,
o blefe suga o descartável esforço!
Imagens que se perdem.
Não se encontram as mesmas,
vêm espalhadas como rede,
te arrastando sobre a mesa!
Brava mente que se esforça por inteiro,
que se recolhe na procura do original.
Sanguessugas te observam traiçoeiro,
fingindo que tudo isso é normal!
Você copia da revista e não se importa.
Mais saiba que, o que está na revista,
também é uma descarada cópia!
Mastigando a ética, engolindo-a como torta.
Não sente fome de uma opinião própria?
É incrível, o delito é sempre cometido
para a sobrevivência de todos!
O mais esperto copia primeiro,
A cópia da cópia da cópia; repetido!
.Tiago Seixas.
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