ADEUS MINHA ARTE
Antes não existia.
Nasceu das entranhas.
Crescendo em pensamentos.
Uma obra única explicita!
Te criei até surgir.
Apreciei te protegi.
Mas já estou sofrendo.
Um dia irei te trair!
Torço por você no futuro.
A cada cliente que te aprecia.
Me deixa feliz e honrado.
Quando te escolhem, fico espedaçado!
Lógico, arte não tem consciência.
Se tivesse eu estaria com remórso.
Com vergonha de olhar na cara.
Escondendo o bolso raso,
de migalhas pechinchadas!
Te implorando piedade,
engasgando nas desculpas,
com os olhos transbordando lágrimas.
Eterna lágrima que não se enxuga.
Te vendi para alguém que aparecia.
Alguém que jamais desconfiaria.
Um magnífico objeto em arte,
que por destino, virou mercadoria.
Levou embora a minha filosofia!
Se eu pudesse, guardava pra mim,
todas vocês em uma vitrine.
No aconchego de um pano de cetim,
para quem quisesse ver, em fim.
Depois da briga dentro de mim,
tenho medo do que está por vir.
Minha criatividade sem fim,
desestruturada, abalada.
Sou incapaz de te repetir!
Lembro até hoje, quando terminei.
Esplendia quando poli,
Custoso para te construir.
Foi rápido quando vendi,
sem tempo para despedir!
Minha única concreta recordação,
são fotos suas em ângulos.
Dentro da ilusão existindo,
iludida com a comercialização.
Primeira jóia legítima,
antes da multiplicação!
Talvez seja feliz.
Desfilando nos caminhos.
Talvez seja de novo traída,
por oportunistas sem carinho.
Tentando fabricar teu clone,
na mão de um aprendiz!
É provável, nunca mais a veja.
Mais penso um dia acontecer.
Uma atriz famosa te proteger,
realizando minhas juras de desejo!
Esse é o nosso mundo.
Rezo para outra te surpreender.
Talvez assim possa te esquecer.
E de pensar nisso tudo.
Outro erro vou cometer!
Tiago Seixas
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